Data de Início: 10/06/2004
Duração: por tempo
indeterminado
Coordenação: Profa
Edilene Soraia da Silva
Aluno Responsável: Everton
Turma: 2
ano 04
Equipe de Apoio: alunos que compõem o grupo (Tony, Ginaíni,
Luan, Ricardo, Amanda, Sabrina, Gustavo) e voluntários externos, Vera e Paulo.
Objetivo Geral: fundar
um grupo teatral do Clube para montar peças de teatro infantis e juvenis de
autores consagrados ou textos produzidos pelos próprios alunos do grupo.
Objetivos Específicos:
·
Montar o musical infantil em um ato “Nem Tudo
Está Azul No País Azul” de Gabriella Rabello;
·
Formar um grupo fixo de produção teatral na
escola;
·
Estudar sobre a história e estilos do teatro
nacional e internacional;
·
Desenvolver a oratória, a expressão corporal e
facial;
·
Incentivar o teatro amador na escola;
·
Preparar espetáculo para apresentação em eventos
da escola e fora dela;
·
Levar o espetáculo com fins de obtenção de
recursos a outras instituições;
·
Oportunizar aos integrantes do grupo uma forma
de compensação de sua dedicação através dos recursos obtidos;
·
Treinar a capacidade de memorização;
·
Promover outras formas de cultura através do
teatro.
Metodologia: uma vez
por semana, o grupo se reúne para ensaios, treinamento e estudos sobre teatro.
As tarefas para montagem de cenário, figurino, arrecadação de recursos são
distribuídas entre os integrantes do grupo conforme a possibilidade de cada um
de forma igualitária.
Quando cada espetáculo estiver preparado e pronto,
marca-se a data de estréia primeiramente para a comunidade de nossa escola e
depois leva-se o espetáculo para outras escolas e instituições.
Todos os integrantes do grupo deverão ter autorização e
poderão ter, no máximo, 3 faltas por semestre.
Avaliação: será
considerado satisfatório se o grupo for responsável com os ensaios e cumprir
com os tratos comprometidos entre os encontros para o sucesso dos espetáculos.
Resultados: no início alguns integrantes foram sendo trocados
por falta de comprometimento com a seriedade do trabalho, mas logo o grupo
firmou e pode concluir o primeiro espetáculo com sucesso.
PEÇA REPRESENTADA
NEM
TUDO ESTÁ AZUL NO PAÍS AZUL
Musical Infantil em 1
Ato
De Gabriela Coelho
Rabelo Amadeu
PERSONAGENS:
1. Narrador Zé Preto
2. Rei Azul
3. Guarda Azul 1
4.
Guarda Azul 2
5.
Lina Amarela
6.
Amiga da Lina Amarela
7.
Mãe da Lina Amarela
8.
Padre Amarelo ou Vermelho
9.
Guarda Amarelo
10.
Léo Vermelho
11.
Garçon
12.
Amigo do Léo Vermelho
13.
Médico Vermelho
14.
Alaranjado
15.
Verde
16.
Roxinho
17.
Marrom
18.
Branco
CENÁRIO:
palco nú. Apenas cortina branca no fundo que conforme a iluminação tomará a cor
que deverá ter a cena.
OBSERVAÇÃO: para fazer os convidados do baile e mais guardas do rei
poderão ser usados bonecos, os quais estarão presos em uma madeira no sentido
horizontal e na altura dos ombros, esses bonecos terão tamanho natural e
poderão Ter os braços e as pernas móveis. Um ator carregará a fileira de bonecos
com ele, podendo dar, assim, a ilusão de mais pessoas no palco.
APRESENTAÇÃO
ZÉ PRETO – (entrando) __
Quem não entrou que entre logo, Se abanquete, tome assento.
Vou chegando e me
apresentando: Sou Zé Preto, o cantador
(cantando) __ Conto história enquanto canto, Pra vocês se divertirem E
também para aprenderem,
Com histórias de outras gentes, Que sempre tem parecença, Com história
da gente mesmo.
Bom dia, boa tarde, boa noite! Senhoras, senhores, senhoritas/Gente
alegre, gente triste, Gente feia, gente bonita.
Antes de começar a história, Quero ver quem é sabido/Quem aqui conhece
cor? Levante seu braço, amigo.
(continua falando) __ Como
é que é? Alguém aqui conhece cor? Então que cor eu sou? Ah,ah,ah,ah, seus
bobos. Preto não é cor, preto é ausência de cor. Quer ver só uma coisa? Feche
os olhos assim, ó, bem apertado. O que você está vendo? Nada, não é? Fica tudo
escuro, preto. De noite também, quando todas as luzes estão apagadas, não fica
tudo preto? É porque a gente não está vendo cor nenhuma. Eu sei que tem uma
porção de vocês que estão pensando: “Ué, mas eu conheço um menino (ou uma
menina) que é preto.” Pois é, isso é só um jeito da gente falar. São aquelas
pessoas que têm a pele mais escura e por isso mesmo é que a gente fala que é
preto. Mas quando a gente fala de cor, e só de cor, e não de gente, então
podemos dizer que o preto não é uma cor. É o vazio que fica quando não existe
cor nenhuma. Mas olha, eu vou contar para vocês uma história muito legal que se
passou...
(cantando) __
Num país chamado Aquarela/Três raças lá existiam: Azul, Vermelha e Amarela
Misturar-se elas não podiam/Pois o Rei o
Azul Rei/Tinha feito um decreto-lei.
(Foco azul, num guarda azul que lê o decreto
imitando um arauto)
GUARDA 1 – Por ordem real
de ontem em diante, o povo de meu país é terminantemente proibido de se
misturar. O azul casa-se com o azul, o vermelho com o vermelho e o amarelo com
o amarelo. Somente assim conseguiremos manter nossas raças puras, nosso governo
bem forte. Nada, nada de misturas!
ZÉ PRETO __ Vocês entenderam direitinho o
decreto-lei? Pergunto isso porque decreto de rei é sempre meio fogo de
entender. Trocando em miúdos: o azul rei não queria que as cores se misturassem
porque podia nascer cor de tudo quanto é jeito. E se isso acontecesse, como é
que o rei ia fazer para continuar a ser rei? Porque ele só era rei porque
falava para todo mundo que o azul era mais forte que todos os outros, mais
bonito, etc. etc... E se, de repente, nascesse uma cor que todo mundo achasse
mais bonita que o azul? Ia ser fogo no rei. Pois então, minha gente é nesse
reino que se passa a história e ela começa assim:
(O preto sai. A cena ilumina-se de azul)
CENA I
REI – Então, guardas, como
vai o reino?
GUARDAS AZUIS - Tudo bem,
majestade. Tudo em ordem.
REI - Alguma novidade para o dia de hoje?
GUARDA 2 - Hoje à noite, majestade, haverá um baile à
fantasia em casa de uma família amarela, aquela que cuida dos girassóis do
reino. A amarelinha Lina, vai fazer 15 anos.
REI (feroz) - E algum
vermelho ou algum azul foi convidado?
GUARDA 1 (escandalizado) -
Não, majestade. É claro que não. Os convidantes passaram pelas mãos de nosso
Secretário de Diversões, como é necessário.
REI - Ótimo. Muito ótimo.
Sendo assim, que eles se divirtam. Vamos agora dar uma volta para ver se o reino
está bem colorido, para ver se o nosso povo está trabalhando bem.
(Saem e a cena toma
um tom amarelo, a amarelinha Lina entra com sua amiga conversando)
CENA II
LINA - Puxa vida, como o dia hoje está demorando a passar.
AMIGA - É mesmo. Eu também
estou morrendo de vontade que chegue logo a hora do baile. Arranjei uma
fantasia maravilhosa. Você nem vai me reconhecer.
LINA - Eu também arranjei
uma fantasia legal. E também não te conto o que é.
AMIGA - Ó, eu vou embora
pra casa agora que ainda tenho que terminar a minha roupa. Tchau.
LINA - Tchau! Até à noite. Ai! (ela coloca
a mão sobre o peito)
AMIGA - O que foi?
LINA - Não foi nada. É que
meu coração hoje está maluco. Tem hora que ele dispara tanto que até dói. E tem
hora que bate tão devagarzinho que parece que vai parar. (suspira) Tenho a
impressão que vai acontecer alguma coisa hoje... Pode ir, já passou. Tchau.
AMIGA - Tchau. (a amiga sai e Lina fica
sonhando acordada)
LINA – (cantando) Meu coração, sente um não sei o quê, Como se quisesse me avisar/Que alguma coisa está para acontecer, O que será? O que será?/Corre reloginho, corre, Traz a noite bem depressa/Vê, o sol já morreu, É hora, é quase hora.
(Luz cai em resistência. Depois
acende-se em resistência a luz vermelha, o vermelho Léo está sentado com o
queixo na mão, danado da vida)
CENA III
LÉO - Puxa vida, todo mundo tem alguma coisa pra fazer.
Só eu é que não tenho. E ainda por cima esse bobão do meu coração fica batendo
diferente hoje, como se hoje não fosse um dia igualzinho aos outros. (ele fala
para o coração) Bobo, pateta... (entra o vermelho amigo, correndo e gritando
desde a coxia)
AMIGO - Léo! Léo! (vê Léo) Puxa vida. Estou
te procurando há um tempão.
LÉO - O que houve, viu um
disco voador?
AMIGO - Melhor que isso.
Imagine só onde nós dois vamos hoje à noite?
LÉO - Ficar em casa vendo
aqueles programas chatos de televisão.
AMIGO - Não senhor. Errou.
Te dou mais uma chance.
LÉO - Fazer visita pra
vizinho e ficar sentado direitinho na sala enquanto os pais da gente tomam
café.
AMIGO - Errou de novo.
Pois saiba, meu amigo, que hoje nós vamos a um baile.
LÉO - Mentira sua. Não há
nenhum baile hoje aqui na zona dos vermelhos.
AMIGO -Na zona dos
vermelhos não, mas na dos amarelos, há.
LÉO - Na dos amarelos?
Bela novidade. A gente não pode ir lá!...
AMIGO - Acontece que é um
baile à fantasia, seu bobo. A gente pode fazer de conta que está fantasiado de
vermelho.
LÉO - Cê tá é louco. Se os azuis pegam a gente, a
gente vai estar perdido.
AMIGO - Tá legal. Se você
não quer ir, eu vou. E você fica aí se lamentando enquanto eu me divirto (vai
saindo).
LÉO - Ei! Espera aí. Quem
foi que disse que eu não vou? Eu disse que era perigoso. Mas quem não arrisca,
não petisca...
AMIGO - Eu sabia que você
ia topar.
LÉO - Pois então...
LÉO E AMIGO - Baile das
amarelinhas, aqui vamos nós!
(Com movimentos fortes, redondos e bonitos os
dois vermelhos atravessam o palco. Quando estão para sair a luz vermelha se
funde em resistência com a amarela, deixando um tom alaranjado que vai
clareando até ficar amarela. Começa uma música lenta tipo minueto. É a cena do
baile. Durante toda a cena guardas azuis devem estar presentes. Talvez fosse
interessante que a movimentação das pessoas do baile, no princípio, sugerisse,
em termos de movimento, uma continuação dos movimentos de saída dos dois
vermelhos. Pouco a pouco essa movimentação se transformaria, passando à dança.
Num lugar qualquer do palco está a amarelinha Lina, a amiga e a mãe de Lina).
CENA IV
MÃE - Ai, mas como está linda esta minha filha! (para a amiga) Você não acha?
AMIGA – (querendo dizer
que sim) __ Hum, hum.
LINA - Ih, mãe, que
bobeira. Deixa de ser coruja.
MÃE - Mas é verdade
mesmo... Olha, eu vou lá dentro na cozinha ver como estão os docinhos, os
salgados, quero que tudo saia bem legal esta noite. (sai)
LINA – (quando a mãe se
afasta) Olha, o meu coração está batendo mais forte agora. Tenho certeza que
vai acontecer alguma coisa hoje.
AMIGA - Não fica
impressionada não, Lina. É por causa da festa que você está assim.
LINA - Não é, não.
(Num canto do palco aparecem o
vermelhos de máscaras, olhando cautelosamente o ambiente)
AMIGO - Puxa, como está
cheio de gente.
LÉO - E como está bonito.
AMIGO - É mesmo. Eu vou
dar uma volta para ver se tem muito guarda azul por aí. (olhando para Léo) Que
foi, você está sentindo alguma coisa?
LÉO - Sabe, hoje eu fiquei o dia inteirinho
achando que ia acontecer alguma coisa diferente. Agora eu tenho certeza que vai
mesmo acontecer.
AMIGO - Ora, seu bobo. Já
está acontecendo: nós somos dois vermelhos que vieram se divertir no baile dos
amarelos. Tchau que eu vou dar um giro por aí.
(vai saindo, volta-se) E vê se desencuca essa de coração assim, coração
assado, tá?
LÉO – (sozinho) Não é só
por causa da festa que eu estou assim, não...
(Léo e Lina se vêem. Luz em
resistência sobre o resto do baile. Só os dois ficam mais iluminados. Olham-se
fascinados)
CENA V
LÉO E LINA – (cantando) Quem é você que faz bater assim meu coração. Quem é você...
LINA - É o mar sem fim.
LÉO - Flor em botão.
LÉO E LINA - Quem é você.
LINA - Não sei quem sou,
pois já não me conheço.
LÉO - Sou quem sempre
sonhei ser, mesmo sem saber.
LINA - Esperei-o toda a
noite sem saber. Quem é você.
LÉO - Esperei-a a vida
inteira e agora que a vi, já sei quem é você.
LÉO E LINA - É o amor que
eu esperava sem saber, que viria esta noite com você. (Param de cantar)
LÉO – (meio sem jeito) Boa
noite. Eu vim... é... quer dizer... parabéns.
LINA – (rindo) Muito
obrigada.
CENA VI
(Entra um garçom amarelo trazendo um suco de laranja.
Quando vê Léo leva um susto e deixa cair a bandeja no chão)
GARÇON - Meu Deus do céu!
Um vermelho neste baile!
LÉO – (apressado) Eu não
sou vermelho, não. É fantasia.
GARÇON - Ô susto! Se você
fosse vermelho ia dar o maior bafafá nesta festa.
LINA - Pois é, mas
acontece que ele não é vermelho não. E eu acho até gozada essa fantasia, porque
vai fazer um monte de gente levar um susto danado.
LÉO – (aproveitando a
deixa) Foi isso mesmo que eu pensei quando escolhi fantasiar-me de vermelho.
Foi só para assustar os outros. (para o garçon) Mas eu não tinha intenção de
fazer ninguém jogar bandeja no chão. (um pouco triste) Eu não pensei que
vermelho fosse tão feio.
LINA - Mas não é porque é
feio não. Ele se assustou porque é proibido a qualquer vermelho ir em festa de
qualquer amarelo.
GARÇON - Olha, meu rapaz,
eu sei aceitar uma boa brincadeira. E para que você possa continuar com ela,
não vou contar a ninguém que aqui no terraço tem uma pessoa fantasiada de
vermelho.
LÉO - Isso mesmo, não
conta não.
GARÇON - Eu vou continuar
a servir lá dentro. Com licença.
(Sai. Quando ele sai, Léo e Lina
começam a rir. Depois ficam se olhando meio sem saber como começar a conversa)
LÉO - Você vai achar que é
mentira, porque eu nunca a tinha visto antes. Mas agora que estou aqui sei que
hoje esperei o dia inteiro a hora de te encontrar.
LINA - Sei que não é
mentira porque eu também te esperei. (O relógio dá 12 pancadas.)
MÃE – (dentro) Lina! Lina!
(entrando apressadíssima) ah, minha filha, há uma hora que a procuro. O que
está você a fazer aí? (Vê Léo) Céus, um vermelho! (vai desmaiar)
LINA - É fantasia, mãe ele
não é vermelho não.
MÃE – (recompondo-se)
Desculpe-me, jovem senhor, mas é de muito mal gosto vir fantasiado de vermelho.
Quase desmaiei de susto.
LÉO – (sem graça)
Desculpe, minha senhora, eu queria assustar só um pouquinho.
MÃE – (fresquíssima,
tentando ser boa anfitriã) Ora, não foi nada. Já passou. Agora vamos lá para
dentro. Já bateu meia noite e é hora de todo mundo tirar a máscara. Vamos
entrar.
(A mãe entre. Léo e Lina ficam fora. Tiram a máscara.)
LINA - Xii, você é
vermelho mesmo?!
LÉO – (meio sem graça) É. Sou assim desde que
nasci. E você é amarelinha, né?
LINA - Sou de nascença
também.
(entra o amigo afobado)
AMIGO - Léo, vamos embora
que está na hora de tirar as máscaras e tem bastante guarda azul por aí. (só
então que repara que Léo já está sem máscara e na presença de Lina. Não entende
mais nada)
LÉO - Eu vou indo, se os outros me descobrirem vai ter
problema.
LINA - Não, não vai
ainda... quer dizer, vai sim, é melhor. (Léo vai saindo todo triste)
LÉO – (voltando-se) Eu
voltarei.
LINA - Esperarei por você.
CENA VII
(Palco às escuras, somente um foco no Zé Preto)
ZÉ PRETO - Bom, acho que
já está dando pra vocês perceberem a confusão toda que saiu daí. Pois não é que
nossos dois amigos continuaram a se ver às escondidas? (cenas de mímica em que Léo e Lina se
encontram) e cada dia ficaram gostando mais um do outro, cada dia mais, e de um
jeito tão grande que resolveram se casar. (cena do casamento em mímica) E se
casaram sem que os guardas do rei soubessem, sem que os amigos soubessem... E
passado algum tempo, eles tiveram um filho. E foi aquele corre-corre no país:
um neném com uma cor toda esquisita, cor de laranja. O azul rei ficou furioso.
CENA VIII
(O preto sai, o palco
ilumina-se de azul. O rei está bufando, andando de um lado para outro. Atrás
dele os dois guardas azuis seguem os movimentos e imitam em mímica, tudo o que
o rei faz)
REI - Como? Nasceu um menino cor de laranja? Cor de
laranja? Oh, acho que vou ter um troço (vai desmaiar, os guardas também.
Refaz-se, os guardas também) Não, não. Não fica nada bem um rei ter um troço.
Vou apenas ficar com enxaqueca. Ui, que dor de enxaqueca, quer dizer, de
cabeça. (bota a mão na cabeça e os guardas idem) Tragam imediatamente os
culpados à minha presença.
(Guardas saem e voltam com Léo e
Lina. Colocam-nos perante o rei)
REI - Coloque-os mais
longe, por favor. Eh, eh, tenho medo de contaminar a pureza e a realeza do meu
sangue azul. Então, senhores, muito bonito. Desobedecendo às ordens reais.
(furioso) E posso saber a razão, o motivo dessa desobediência?
LÉO - Senhor...
REI - O que? Ousa
contestar-me? (Léo se cala) Vamos, digam por que desacataram minhas ordens?
LÉO - Senhor, é que...
REI – É o cúmulo, um
absurdo. (para Léo) Malcriado. (para a platéia, sofrido) Vocês são testemunha
do doloroso desacato à autoridade que acabo de passar. (para os dois, terrível)
Pois fiquem sabendo que vocês serão separados para sempre. É assim que serão
tratados todos que desobedecerem às ordens reais. E o filho de vocês será condenado
à masmorra, onde viverá a vida inteira. (para a platéia) Estou agindo certo ou
não estou? (para os dois) Viram? Ele
também estão de acordo comigo. (para os guardas) Levem esses dois!
(Os guardas levam Léo e Lina para
fora da cena, cada um por um lado, mas só Léo e Lina saem de cena, os guardas
permanecem)
GUARDAS - Somos amigos do rei, Fiéis servidores da lei/Seu rei mandou, nós fazemos,
E se não fizermos?/Ganharemos bolo.
Nosso rei é o
mais sabido, Dos homens que há aqui/Tem seu povo dividido, E a nós para lhe
servir
E se não o
fizermos? Ganharemos bolo.
Para quem
desobedece, As ordens de nosso rei/A masmorra ele merece, Isto sim, isto é que
é lei
E quando esta
lei cair? Ganharemos bolo.
(a
canção e a marcha dos guardas vi num crescendo até que a luz se apaga
totalmente. Acende-se um foco de luz branca e entra o Zé Preto meio
desenxabido)
CENA IX
ZÉ PRETO - Passaram-se alguns anos. O alaranjado, filho de
nossos dois amigos, ficou vivendo na masmorra. Vocês sabem o que é masmorra?
Puxa é um lugar feio prá burro, triste, onde as pessoas ficam trancadas. Não é
nem bom pensar. Mas como eu ia dizendo, o alaranjado estava na... lá (ele ia
dizendo masmorra, mas interrompe e aponta o dedo par o lugar da masmorra) Vocês
pensam que ele estava lá sozinho? Pois se enganam. Vejam só.
CENA X
ALARANJADO - Puxa, hoje foi um dia duro. Tive que pintar uma
porção de laranjas, de abóboras-morango, de tangerinas... e você roxinho, como
foi o seu dia?
(Roxinho é um cara triste e meio
revoltado)
ROXINHO - Como sempre. A única
coisa que me deixam pintar é caixão, flor de defunto e marca de beliscão. Não
aguento mais esta vida.
VERDE - Eu fico louco pra
chegar o outono e o inverno. Porque nessas épocas o meu trabalho diminui muito,
tenho muito menos folhas para colorir.
ALARANJADO - Sabe uma
coisa que eu não entendo? Por que é que a gente que pinta quase tudo que tem no
nosso reino é obrigado a viver fechado aqui dentro? Por que que nós não podemos
brincar com as coisas que a gente pinta? Correr na grama tão gostosa que você,
Verdinho, coloriu? Acho que não está certo.
ROXINHO - Eu também acho.
Um dia, eu estava pensando nisto, chamei o guarda e perguntei pra ele. Sabem o
que ele respondeu?
ALARANJADO E VERDE - Não
sei, conta.
ROXINHO - Ah, tentem
adivinhar.
VERDE - Não enrola,
Roxinho, fala logo.
ROXINHO – (contente porque
tem uma coisa importante para contar) Mas tentem adivinhar pelo menos.
ALARANJADO - Anda,
Roxinho, desembucha.
ROXINHO – (sem graça) Tá
bom, eu falo. Mas que vocês podiam ao menos tentar adivinhar, isso podiam. (o
Verde faz menção de avançar nele e o Roxinho fala apressado) Ele disse que não
sabia. Disse que estava aqui para guardar a gente e não para responder pergunta
boboca de Roxinho. (Alaranjado e Verde começam a rir) Sem educação ele, né?
ALARANJADO - Ah, primo,
você é uma bola.
VERDE - Primo. Por que
primo?
ALARANJADO - Então você
não sabe que ele é filho de um vermelho com uma azul?
VERDE - Com uma azul?
Vermelho com uma azul?
ROXINHO - É.
VERDE - Puxa, então nós
somos parentes também, porque eu sou filho de uma azul com uma amarela.
ALARANJADO - Verdade?
Então você também é parente meu porque eu sou filho de uma amarela com um
vermelho.
(Eles começam a se abraçar, todos
contentes, quando entra correndo um marrom)
MARROM - Pessoal, acabo de
saber de uma coisa incrível. O azul rei está doente, muito doente e está
precisando de receber sangue. Acontece que os azuis foram viajar para pintar o
céu da primavera. Não ficou nenhum azul aqui. O rei até precisou chamar um
médico vermelho.
ALARANJADO - Puxa, então é
por isso que os guardas amarelos é que estão guardando a gente?
MARROM - É. E o rei
resolveu lá com o médico que vai chamar o Verde para dar sangue para ele.
VERDE - Eu, por que eu?
MARROM - Você mesmo. Eu
estava lá recolorindo a madeira da cama do rei e ouvi tudo.
VERDE - Mas por que eu?
MARROM - Ora, porque de
nós aqui você é o que tem mais sangue azul.
ROXINHO - Por isso não que
eu também tenho.
MARROM - Pois é, o médico
vermelho até lembrou o rei disso. Mas o rei disse que você só serve para pintar
caixão. (o Roxinho fica triste)
VERDE - Pintar caixão uma
ova! Eu já sei o que vou fazer. O rei está doente, não está?
TODOS - Está.
VERDE - Precisando do meu
sangue, não é?
TODOS - É.
VERDE - Pois eu não vou
dar.
ROXINHO - Como?
VERDE - É isso mesmo. Não vou
dar.
MARROM - Mas ele te mata
se você fizer isso.
VERDE - Azar dele. Vai
ficar sem folha nas árvores, sem grama, sem gafanhoto, etc, etc...
ALARANJADO - Mas ele não
pode ficar sem árvores.
ROXINHO - É isso mesmo. Se
não tem árvore, não tem ar puro. Se não tem ar puro, tem poluição (ele fala
poluição como se fosse a pessoa mais bem informada do mundo) e se tem poluição
muito poluída, ele morre do mesmo jeito. E daí eu vou caprichar no roxo do
caixão dele.
ALARANJADO - Deixa de ser
tonto, Roxinho, que se ele morrer de poluição poluída, nós morremos também.
MARROM - É isso mesmo.
Todos nós precisamos do verde.
VERDE - Mas será que vocês
não perceberam?
ALARANJADO - O quê?
VERDE - Todos nós
precisamos de nós todos. Se o Marrom não existir, quem vai colorir o tronco das
árvores? E se as árvores não tiverem tronco, como vão ter folhas? Se não
existir o alaranjado, como o sol vai se pôr? E se o sol não se põe, como virá a
noite?
ALARANJADO - Puxa vida,
nunca tinha pensado nisto. Todos nós precisamos de nós todos.
TODOS – (cantando) Como é
bom saber, que você precisa de mim, como eu preciso de você
Como é bom saber, que você não
existe sem mim e eu não existo sem você
VERDE - Sou eu o verde, a
cor da esperança, mas não existo sem vocês.
MARRON - Eu pinto a terra,
a cor da madeira montanhas e serras, mas não existo sem vocês.
ROXINHO - Sou todo feio,
desajeitado, só pinto a morte, sou um pobre coitado.
ALARANJADO - Pois de agora
em diante, Roxinho querido, muita coisa elegante você vai pintar, novas frutas
vamos inventar, você vai pintar o recheio do figo, a uva gostosa e mais, eu lhe
digo, mil flores bonitas, azaléias, rosas, primaveras.
TODOS - E de nossa união
outras cores virão. Um mundo bonito nós vamos pintar. Um mundo bonito pra todos
agradar.
(Eles dançam com alegria uma
música envolvente. Ouve-se o barulho dos passos do guarda)
GUARDA - Verde. Sua
majestade o chama. Venha depressa.
(A entrada do guarda corta a
alegria de todas as cores. Todos ficam assustados como se tudo que tivessem
falado e cantado não passasse de um sonho)
VERDE – (animado) Não se
preocupem, tudo sairá bem.
CENA XI
(O guarda amarelo vai
levando o Verde para ir ver o rei. No caminho eles conversam)
GUARDA - Sabe, Verdinho, eu estava perto da porta
ouvindo a conversa de vocês. Puxa vida, você teria mesmo coragem de deixar o
rei morrer?
VERDE - Fala a verdade, ô guarda. Você está mais com
medo de você morrer também, sem árvores e sem frutos do que o rei morrer sem
sangue.
GUARDA - Ô, Verdinho, que é isso. Afinal eu não tenho
nada contra você. Você não ia fazer uma coisa dessa comigo.
VERDE - Faço sim. E não sou só eu. Todos os meus
amigos lá da masmorra farão o mesmo.
GUARDA - Quê isso, Verdinho.
VERDE - Você pode não ter nada contra mim. Mas eu
tenho contra você. Você ajuda o rei a nos manter presos.
GUARDA - Mas são ordens, amigo, não é porque eu
quero. Eu sou seu amigo.
VERDE - Então faça o que você quer, então saberemos
que você é nosso amigo.
(O palco que estava iluminado apenas na boca de cena, por
onde o guarda e o Verde passavam, ilumina-se de azul. O rei está deitado. Um
médico vermelho está a seu lado)
CENA XII
REI - Verde, chamei-o aqui para lhe fazer uma grande
homenagem. Observei que as árvores do reino estão muito bonitas, muito viçosas,
as folhas bem coloridas. Você tem trabalhado bem. Assim sendo, resolvi
conceder-lhe a grande honra de dar-me um pouco do seu sangue.
VERDE - Muito obrigado por
todos os elogios, Majestade. Agradeço muito, mas não posso aceitar a homenagem.
REI - Pode sim, eu deixo.
VERDE - Não, eu não posso
não.
REI - Pode sim, já disse.
VERDE - Acontece que eu
não quero.
REI - Como não quer? Por
acaso você, um reles verde, uma mísera cor derivada, uma mistura, têm querer?
VERDE - Tenho sim, e não
sou só eu, Majestade. Todos os meus amigos que estão comigo na masmorra também
têm querer.
REI - É o cúmulo. Pois
então eu lhe ordeno que me dê sangue.
VERDE - E eu não obedeço à
ordem.
REI - Ó! acho que estou
sonhando... Só pode ser pesadelo. (se belisca)
VERDE - Não, Majestade,
não é sonho. Só concordo em dar-lhe sangue se o senhor aceitar o que vou lhe
propor: todas as cores deverão viver em liberdade.
REI - Acho que desta vez
eu tenho um troço.
VERDE - E tem mais: todos
poderão se misturar à vontade. Os homens e mulheres poderão se casar
livremente, independente das cores que eles tenham.
REI - Isso nunca!
VERDE - E mais ainda:
Vossa Majestade precisa tanto do meu sangue quanto do meu trabalho e do
trabalho de todos os meus amigos que estão na masmorra. Se Vossa Majestade não
aceitar minhas condições, eu e todos os meus amigos deixarmos de trabalhar. E
sem árvores e sem frutos Vossa Majestade morrerá de todo jeito.
MÉDICO VERMELHO -
Majestade, é melhor aceitar, senão Vossa Majestade, sem sangue, vai morrer.
REI - Pois prefiro a
morte. Guarda... (o guarda não reage, atarantado com a atitude do Verde)
Guarda!!! (o guarda acorda) Leve-o para a masmorra!
MÉDICO VERMELHO - Mas
Majestade...
REI - Já disse (começa a
choramingar) Prefiro a mor... Verdiiiiinho!!!
VERDE – (voltando e bem de
inocente) Vossa Majestade me chamou?
REI - Chamei sim. Para lhe
dizer que você é um chantagista, é um embrulhão, é um verde muito sujo e que...
não tendo outro jeito, né?! Sou obrigado a aceitar suas condições.
VERDE – (eufórico) Puxa
vida, que bacana. Custou, hein, azul? Mas você não vai se arrepender. Quando
todos nós estivermos em liberdade, o mundo será lindo. Você terá netos
lilázes...
REI – (meio com horror) Ó,
eu com neto lilás. (pensando melhor) Lilás! (já enlevado) Lilás...
VERDE - E de muitas outras
cores. Tudo será lindo e colorido!
CENA FINAL
(À medida que se processa a “transfusão de sangue”
todas as cores vão entrando em
cena. Talvez com muitas fitas coloridas, fazendo um balé)
ROXINHO – (bem atirado) E
de todos nós juntos nascerá o branco que será o símbolo de nossa união.
TODOS – (cantando) Neste
país bem bonito, reina agora a harmonia/E nós todos trabalhamos, sempre cheios
de alegria
Pois tudo o que
nós fazemos, é nosso e de ninguém mais/Nós mesmos nos governamos, por isso aqui
reina a paz
Quem quiser nos
visitar, dê a mão ao seu vizinho/E que o vizinho vá chamar, bem depressa outro
vizinho
E todos juntos
verão, que assim é que é bom viver/Unidos de mão na mão, com coração bem aberto
Assim é que tem
que ser.
(Enquanto eles cantam e dançam o
Preto poderia participar da cena, bem alegre, como se ele fosse um elemento
também da união por ter contado a história).
FIM
MODELO DE FICHA DE INSCRIÇÃO E AUTORIZAÇÃO
ESCOLA
DE EDUCAÇÃO BÁSICA SANTA CATARINA
GRUPO
TEATRAL ECOLOGIA NOTA 10
FICHA
DE INSCRIÇÃO E AUTORIZAÇÃO
Nome Completo: __________________________________________________Data: ____/____/______
Turma: ___________ Turno: ___________ Idade Atual: ___________ Data de Nasc.: ____/____/______
Rua: __________________________________________________________ Nº: _______ Aptº: _______
Bairro: _______________________________ CEP:
________________ Fones: ____________________
Por este
documento autorizo o aluno acima descrito, a participar de um grupo teatral na
escola, ciente de que os ensaios serão em horários extra-classe e com
possibilidades de apresentações fora do espaço escolar. Assinatura do Pai, Mãe
ou Responsável: _____________________________________________.
ESCOLA DE EDUCAÇÃO BÁSICA SANTA CATARINA – Data:
___/___/___
FICHA DE SELEÇÃO E AVALIAÇÃO DE ATORES DO GRUPO TEATRAL ECOLOGIA NOTA 10
Nomes
|
Pontual.
|
Dicção
|
Expr facial
|
Expr Corp
|
Interpr
|
Desloc
|
Ênfase
|
Comport
|
Linguaj
|
Ética
|
Respons
|
Obs
|
Result
|












