sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Grupo Teatral Ecologia Nota 10



Data de Início: 10/06/2004

Duração: por tempo indeterminado

Coordenação: Profa Edilene Soraia da Silva

Aluno Responsável: Everton                   Turma: 2 ano 04

Equipe de Apoio: alunos que compõem o grupo (Tony, Ginaíni, Luan, Ricardo, Amanda, Sabrina, Gustavo) e voluntários externos, Vera e Paulo.

Objetivo Geral: fundar um grupo teatral do Clube para montar peças de teatro infantis e juvenis de autores consagrados ou textos produzidos pelos próprios alunos do grupo.

Objetivos Específicos:

·        Montar o musical infantil em um ato “Nem Tudo Está Azul No País Azul” de Gabriella Rabello;
·        Formar um grupo fixo de produção teatral na escola;
·        Estudar sobre a história e estilos do teatro nacional e internacional;
·        Desenvolver a oratória, a expressão corporal e facial;
·        Incentivar o teatro amador na escola;
·        Preparar espetáculo para apresentação em eventos da escola e fora dela;
·        Levar o espetáculo com fins de obtenção de recursos a outras instituições;
·        Oportunizar aos integrantes do grupo uma forma de compensação de sua dedicação através dos recursos obtidos;
·        Treinar a capacidade de memorização;
·        Promover outras formas de cultura através do teatro.

Metodologia: uma vez por semana, o grupo se reúne para ensaios, treinamento e estudos sobre teatro. As tarefas para montagem de cenário, figurino, arrecadação de recursos são distribuídas entre os integrantes do grupo conforme a possibilidade de cada um de forma igualitária.
            Quando cada espetáculo estiver preparado e pronto, marca-se a data de estréia primeiramente para a comunidade de nossa escola e depois leva-se o espetáculo para outras escolas e instituições.
            Todos os integrantes do grupo deverão ter autorização e poderão ter, no máximo, 3 faltas por semestre.

Avaliação: será considerado satisfatório se o grupo for responsável com os ensaios e cumprir com os tratos comprometidos entre os encontros para o sucesso dos espetáculos.

Resultados: no início alguns integrantes foram sendo trocados por falta de comprometimento com a seriedade do trabalho, mas logo o grupo firmou e pode concluir o primeiro espetáculo com sucesso.













PEÇA REPRESENTADA



NEM TUDO ESTÁ AZUL NO PAÍS AZUL
Musical Infantil em 1 Ato
De Gabriela Coelho Rabelo Amadeu

PERSONAGENS:

1.        Narrador Zé Preto

2.        Rei Azul

3.        Guarda Azul 1

4.        Guarda Azul 2
5.        Lina Amarela
6.        Amiga da Lina Amarela
7.        Mãe da Lina Amarela
8.        Padre Amarelo ou Vermelho
9.        Guarda Amarelo
10.     Léo Vermelho
11.     Garçon
12.     Amigo do Léo Vermelho
13.     Médico Vermelho
14.     Alaranjado
15.     Verde
16.     Roxinho
17.     Marrom
18.     Branco


CENÁRIO: palco nú. Apenas cortina branca no fundo que conforme a iluminação tomará a cor que deverá ter a cena.
OBSERVAÇÃO: para fazer os convidados do baile e mais guardas do rei poderão ser usados bonecos, os quais estarão presos em uma madeira no sentido horizontal e na altura dos ombros, esses bonecos terão tamanho natural e poderão Ter os braços e as pernas móveis. Um ator carregará a fileira de bonecos com ele, podendo dar, assim, a ilusão de mais pessoas no palco.

APRESENTAÇÃO

ZÉ PRETO – (entrando) __ Quem não entrou que entre logo, Se abanquete, tome assento.
   Vou chegando e me apresentando: Sou Zé Preto, o cantador
(cantando) __ Conto história enquanto canto, Pra vocês se divertirem E também para aprenderem,
Com histórias de outras gentes, Que sempre tem parecença, Com história da gente mesmo.
Bom dia, boa tarde, boa noite! Senhoras, senhores, senhoritas/Gente alegre, gente triste, Gente feia, gente bonita.
Antes de começar a história, Quero ver quem é sabido/Quem aqui conhece cor? Levante seu braço, amigo.
(continua falando) __ Como é que é? Alguém aqui conhece cor? Então que cor eu sou? Ah,ah,ah,ah, seus bobos. Preto não é cor, preto é ausência de cor. Quer ver só uma coisa? Feche os olhos assim, ó, bem apertado. O que você está vendo? Nada, não é? Fica tudo escuro, preto. De noite também, quando todas as luzes estão apagadas, não fica tudo preto? É porque a gente não está vendo cor nenhuma. Eu sei que tem uma porção de vocês que estão pensando: “Ué, mas eu conheço um menino (ou uma menina) que é preto.” Pois é, isso é só um jeito da gente falar. São aquelas pessoas que têm a pele mais escura e por isso mesmo é que a gente fala que é preto. Mas quando a gente fala de cor, e só de cor, e não de gente, então podemos dizer que o preto não é uma cor. É o vazio que fica quando não existe cor nenhuma. Mas olha, eu vou contar para vocês uma história muito legal que se passou...
(cantando) __ Num país chamado Aquarela/Três raças lá existiam: Azul, Vermelha e Amarela
   Misturar-se elas não podiam/Pois o Rei o Azul Rei/Tinha feito um decreto-lei.
 (Foco azul, num guarda azul que lê o decreto imitando um arauto)
GUARDA 1 – Por ordem real de ontem em diante, o povo de meu país é terminantemente proibido de se misturar. O azul casa-se com o azul, o vermelho com o vermelho e o amarelo com o amarelo. Somente assim conseguiremos manter nossas raças puras, nosso governo bem forte. Nada, nada de misturas!
ZÉ PRETO __ Vocês entenderam direitinho o decreto-lei? Pergunto isso porque decreto de rei é sempre meio fogo de entender. Trocando em miúdos: o azul rei não queria que as cores se misturassem porque podia nascer cor de tudo quanto é jeito. E se isso acontecesse, como é que o rei ia fazer para continuar a ser rei? Porque ele só era rei porque falava para todo mundo que o azul era mais forte que todos os outros, mais bonito, etc. etc... E se, de repente, nascesse uma cor que todo mundo achasse mais bonita que o azul? Ia ser fogo no rei. Pois então, minha gente é nesse reino que se passa a história e ela começa assim:
(O preto sai. A cena ilumina-se de azul)

CENA I
REI – Então, guardas, como vai o reino?
GUARDAS AZUIS - Tudo bem, majestade. Tudo em ordem.
REI - Alguma novidade para o dia de hoje?
GUARDA 2 -  Hoje à noite, majestade, haverá um baile à fantasia em casa de uma família amarela, aquela que cuida dos girassóis do reino. A amarelinha Lina, vai fazer 15 anos.
REI (feroz) - E algum vermelho ou algum azul foi convidado?
GUARDA 1 (escandalizado) - Não, majestade. É claro que não. Os convidantes passaram pelas mãos de nosso Secretário de Diversões, como é necessário.
REI - Ótimo. Muito ótimo. Sendo assim, que eles se divirtam. Vamos agora dar uma volta para ver se o reino está bem colorido, para ver se o nosso povo está trabalhando bem.
(Saem e a cena toma um tom amarelo, a amarelinha Lina entra com sua amiga conversando)

CENA II
LINA - Puxa vida, como o dia hoje está demorando a passar.
AMIGA - É mesmo. Eu também estou morrendo de vontade que chegue logo a hora do baile. Arranjei uma fantasia maravilhosa. Você nem vai me reconhecer.
LINA - Eu também arranjei uma fantasia legal. E também não te conto o que é.
AMIGA - Ó, eu vou embora pra casa agora que ainda tenho que terminar a minha roupa. Tchau.
LINA - Tchau! Até à noite. Ai! (ela coloca a mão sobre o peito)
AMIGA - O que foi?
LINA - Não foi nada. É que meu coração hoje está maluco. Tem hora que ele dispara tanto que até dói. E tem hora que bate tão devagarzinho que parece que vai parar. (suspira) Tenho a impressão que vai acontecer alguma coisa hoje... Pode ir, já passou. Tchau.
AMIGA - Tchau. (a amiga sai e Lina fica sonhando acordada)

LINA – (cantando) Meu coração, sente um não sei o quê, Como se quisesse me avisar/Que alguma coisa está para acontecer, O que será? O que será?/Corre reloginho, corre, Traz a noite bem depressa/Vê, o sol já morreu, É hora, é quase hora.

(Luz cai em resistência. Depois acende-se em resistência a luz vermelha, o vermelho Léo está sentado com o queixo na mão, danado da vida)

CENA III
LÉO - Puxa vida, todo mundo tem alguma coisa pra fazer. Só eu é que não tenho. E ainda por cima esse bobão do meu coração fica batendo diferente hoje, como se hoje não fosse um dia igualzinho aos outros. (ele fala para o coração) Bobo, pateta... (entra o vermelho amigo, correndo e gritando desde a coxia)
AMIGO - Léo! Léo! (vê Léo) Puxa vida. Estou te procurando há um tempão.
LÉO - O que houve, viu um disco voador?
AMIGO - Melhor que isso. Imagine só onde nós dois vamos hoje à noite?
LÉO - Ficar em casa vendo aqueles programas chatos de televisão.
AMIGO - Não senhor. Errou. Te dou mais uma chance.
LÉO - Fazer visita pra vizinho e ficar sentado direitinho na sala enquanto os pais da gente tomam café.
AMIGO - Errou de novo. Pois saiba, meu amigo, que hoje nós vamos a um baile.
LÉO - Mentira sua. Não há nenhum baile hoje aqui na zona dos vermelhos.
AMIGO -Na zona dos vermelhos não, mas na dos amarelos, há.
LÉO - Na dos amarelos? Bela novidade. A gente não pode ir lá!...
AMIGO - Acontece que é um baile à fantasia, seu bobo. A gente pode fazer de conta que está fantasiado de vermelho.
LÉO - Cê tá é louco. Se os azuis pegam a gente, a gente vai estar perdido.
AMIGO - Tá legal. Se você não quer ir, eu vou. E você fica aí se lamentando enquanto eu me divirto (vai saindo).
LÉO - Ei! Espera aí. Quem foi que disse que eu não vou? Eu disse que era perigoso. Mas quem não arrisca, não petisca...
AMIGO - Eu sabia que você ia topar.
LÉO - Pois então...
LÉO E AMIGO - Baile das amarelinhas, aqui vamos nós!
 (Com movimentos fortes, redondos e bonitos os dois vermelhos atravessam o palco. Quando estão para sair a luz vermelha se funde em resistência com a amarela, deixando um tom alaranjado que vai clareando até ficar amarela. Começa uma música lenta tipo minueto. É a cena do baile. Durante toda a cena guardas azuis devem estar presentes. Talvez fosse interessante que a movimentação das pessoas do baile, no princípio, sugerisse, em termos de movimento, uma continuação dos movimentos de saída dos dois vermelhos. Pouco a pouco essa movimentação se transformaria, passando à dança. Num lugar qualquer do palco está a amarelinha Lina, a amiga e a mãe de Lina).

CENA IV

MÃE - Ai, mas como está linda esta minha filha! (para a amiga) Você não acha?

AMIGA – (querendo dizer que sim) __ Hum, hum.
LINA - Ih, mãe, que bobeira. Deixa de ser coruja.
MÃE - Mas é verdade mesmo... Olha, eu vou lá dentro na cozinha ver como estão os docinhos, os salgados, quero que tudo saia bem legal esta noite. (sai)
LINA – (quando a mãe se afasta) Olha, o meu coração está batendo mais forte agora. Tenho certeza que vai acontecer alguma coisa hoje.
AMIGA - Não fica impressionada não, Lina. É por causa da festa que você está assim.
LINA - Não é, não.
(Num canto do palco aparecem o vermelhos de máscaras, olhando cautelosamente o ambiente)
AMIGO - Puxa, como está cheio de gente.
LÉO - E como está bonito.
AMIGO - É mesmo. Eu vou dar uma volta para ver se tem muito guarda azul por aí. (olhando para Léo) Que foi, você está sentindo alguma coisa?
LÉO - Sabe, hoje eu fiquei o dia inteirinho achando que ia acontecer alguma coisa diferente. Agora eu tenho certeza que vai mesmo acontecer.
AMIGO - Ora, seu bobo. Já está acontecendo: nós somos dois vermelhos que vieram se divertir no baile dos amarelos. Tchau que eu vou dar um giro por aí.  (vai saindo, volta-se) E vê se desencuca essa de coração assim, coração assado, tá?
LÉO – (sozinho) Não é só por causa da festa que eu estou assim, não...
(Léo e Lina se vêem. Luz em resistência sobre o resto do baile. Só os dois ficam mais iluminados. Olham-se fascinados)

CENA V

LÉO E LINA – (cantando) Quem é você que faz bater assim meu coração. Quem é você...

LINA - É o mar sem fim.
LÉO - Flor em botão.
LÉO E LINA - Quem é você.
LINA - Não sei quem sou, pois já não me conheço.
LÉO - Sou quem sempre sonhei ser, mesmo sem saber.
LINA - Esperei-o toda a noite sem saber. Quem é você.
LÉO - Esperei-a a vida inteira e agora que a vi, já sei quem é você.
LÉO E LINA - É o amor que eu esperava sem saber, que viria esta noite com você. (Param de cantar)
LÉO – (meio sem jeito) Boa noite. Eu vim... é... quer dizer... parabéns.
LINA – (rindo) Muito obrigada.

CENA VI
(Entra um garçom amarelo trazendo um suco de laranja. Quando vê Léo leva um susto e deixa cair a bandeja no chão)
GARÇON - Meu Deus do céu! Um vermelho neste baile!
LÉO – (apressado) Eu não sou vermelho, não. É fantasia.
GARÇON - Ô susto! Se você fosse vermelho ia dar o maior bafafá nesta festa.
LINA - Pois é, mas acontece que ele não é vermelho não. E eu acho até gozada essa fantasia, porque vai fazer um monte de gente levar um susto danado.
LÉO – (aproveitando a deixa) Foi isso mesmo que eu pensei quando escolhi fantasiar-me de vermelho. Foi só para assustar os outros. (para o garçon) Mas eu não tinha intenção de fazer ninguém jogar bandeja no chão. (um pouco triste) Eu não pensei que vermelho fosse tão feio.
LINA - Mas não é porque é feio não. Ele se assustou porque é proibido a qualquer vermelho ir em festa de qualquer amarelo.
GARÇON - Olha, meu rapaz, eu sei aceitar uma boa brincadeira. E para que você possa continuar com ela, não vou contar a ninguém que aqui no terraço tem uma pessoa fantasiada de vermelho.
LÉO - Isso mesmo, não conta não.
GARÇON - Eu vou continuar a servir lá dentro. Com licença.
(Sai. Quando ele sai, Léo e Lina começam a rir. Depois ficam se olhando meio sem saber como começar a conversa)
LÉO - Você vai achar que é mentira, porque eu nunca a tinha visto antes. Mas agora que estou aqui sei que hoje esperei o dia inteiro a hora de te encontrar.
LINA - Sei que não é mentira porque eu também te esperei. (O relógio dá 12 pancadas.)
MÃE – (dentro) Lina! Lina! (entrando apressadíssima) ah, minha filha, há uma hora que a procuro. O que está você a fazer aí? (Vê Léo) Céus, um vermelho! (vai desmaiar)
LINA - É fantasia, mãe ele não é vermelho não.
MÃE – (recompondo-se) Desculpe-me, jovem senhor, mas é de muito mal gosto vir fantasiado de vermelho. Quase desmaiei de susto.
LÉO – (sem graça) Desculpe, minha senhora, eu queria assustar só um pouquinho.
MÃE – (fresquíssima, tentando ser boa anfitriã) Ora, não foi nada. Já passou. Agora vamos lá para dentro. Já bateu meia noite e é hora de todo mundo tirar a máscara. Vamos entrar.
(A mãe entre. Léo  e Lina ficam fora. Tiram a máscara.)
LINA - Xii, você é vermelho mesmo?!
LÉO – (meio sem graça) É. Sou assim desde que nasci. E você é amarelinha, né?
LINA - Sou de nascença também.
(entra o amigo afobado)
AMIGO - Léo, vamos embora que está na hora de tirar as máscaras e tem bastante guarda azul por aí. (só então que repara que Léo já está sem máscara e na presença de Lina. Não entende mais nada)
LÉO - Eu  vou indo, se os outros me descobrirem vai ter problema.
LINA - Não, não vai ainda... quer dizer, vai sim, é melhor. (Léo vai saindo todo triste)
LÉO – (voltando-se) Eu voltarei.
LINA - Esperarei por você.

CENA VII
(Palco às escuras, somente um foco no Zé Preto)
ZÉ PRETO - Bom, acho que já está dando pra vocês perceberem a confusão toda que saiu daí. Pois não é que nossos dois amigos continuaram a se ver às escondidas? (cenas de mímica em que Léo e Lina se encontram) e cada dia ficaram gostando mais um do outro, cada dia mais, e de um jeito tão grande que resolveram se casar. (cena do casamento em mímica) E se casaram sem que os guardas do rei soubessem, sem que os amigos soubessem... E passado algum tempo, eles tiveram um filho. E foi aquele corre-corre no país: um neném com uma cor toda esquisita, cor de laranja. O azul rei ficou furioso.

CENA VIII
(O preto sai, o palco ilumina-se de azul. O rei está bufando, andando de um lado para outro. Atrás dele os dois guardas azuis seguem os movimentos e imitam em mímica, tudo o que o rei faz)
REI - Como? Nasceu um menino cor de laranja? Cor de laranja? Oh, acho que vou ter um troço (vai desmaiar, os guardas também. Refaz-se, os guardas também) Não, não. Não fica nada bem um rei ter um troço. Vou apenas ficar com enxaqueca. Ui, que dor de enxaqueca, quer dizer, de cabeça. (bota a mão na cabeça e os guardas idem) Tragam imediatamente os culpados à minha presença.
(Guardas saem e voltam com Léo e Lina. Colocam-nos perante o rei)
REI - Coloque-os mais longe, por favor. Eh, eh, tenho medo de contaminar a pureza e a realeza do meu sangue azul. Então, senhores, muito bonito. Desobedecendo às ordens reais. (furioso) E posso saber a razão, o motivo dessa desobediência?
LÉO - Senhor...
REI - O que? Ousa contestar-me? (Léo se cala) Vamos, digam por que desacataram minhas ordens?
LÉO - Senhor, é que...
REI – É o cúmulo, um absurdo. (para Léo) Malcriado. (para a platéia, sofrido) Vocês são testemunha do doloroso desacato à autoridade que acabo de passar. (para os dois, terrível) Pois fiquem sabendo que vocês serão separados para sempre. É assim que serão tratados todos que desobedecerem às ordens reais. E o filho de vocês será condenado à masmorra, onde viverá a vida inteira. (para a platéia) Estou agindo certo ou não estou?  (para os dois) Viram? Ele também estão de acordo comigo. (para os guardas) Levem esses dois!
(Os guardas levam Léo e Lina para fora da cena, cada um por um lado, mas só Léo e Lina saem de cena, os guardas permanecem)

GUARDAS - Somos amigos do rei, Fiéis servidores da lei/Seu rei mandou, nós fazemos,

E se não fizermos?/Ganharemos bolo.

Nosso rei é o mais sabido, Dos homens que há aqui/Tem seu povo dividido, E a nós para lhe servir
E se não o fizermos? Ganharemos bolo.
Para quem desobedece, As ordens de nosso rei/A masmorra ele merece, Isto sim, isto é que é lei
E quando esta lei cair? Ganharemos bolo.
(a canção e a marcha dos guardas vi num crescendo até que a luz se apaga totalmente. Acende-se um foco de luz branca e entra o Zé Preto meio desenxabido)

CENA IX
ZÉ PRETO - Passaram-se alguns anos. O alaranjado, filho de nossos dois amigos, ficou vivendo na masmorra. Vocês sabem o que é masmorra? Puxa é um lugar feio prá burro, triste, onde as pessoas ficam trancadas. Não é nem bom pensar. Mas como eu ia dizendo, o alaranjado estava na... lá (ele ia dizendo masmorra, mas interrompe e aponta o dedo par o lugar da masmorra) Vocês pensam que ele estava lá sozinho? Pois se enganam. Vejam só.

CENA X
ALARANJADO - Puxa, hoje foi um dia duro. Tive que pintar uma porção de laranjas, de abóboras-morango, de tangerinas... e você roxinho, como foi o seu dia?
(Roxinho é um cara triste e meio revoltado)
ROXINHO - Como sempre. A única coisa que me deixam pintar é caixão, flor de defunto e marca de beliscão. Não aguento mais esta vida.
VERDE - Eu fico louco pra chegar o outono e o inverno. Porque nessas épocas o meu trabalho diminui muito, tenho muito menos folhas para colorir.
ALARANJADO - Sabe uma coisa que eu não entendo? Por que é que a gente que pinta quase tudo que tem no nosso reino é obrigado a viver fechado aqui dentro? Por que que nós não podemos brincar com as coisas que a gente pinta? Correr na grama tão gostosa que você, Verdinho, coloriu? Acho que não está certo.
ROXINHO - Eu também acho. Um dia, eu estava pensando nisto, chamei o guarda e perguntei pra ele. Sabem o que ele respondeu?
ALARANJADO E VERDE - Não sei, conta.
ROXINHO - Ah, tentem adivinhar.
VERDE - Não enrola, Roxinho, fala logo.
ROXINHO – (contente porque tem uma coisa importante para contar) Mas tentem adivinhar pelo menos.
ALARANJADO - Anda, Roxinho, desembucha.
ROXINHO – (sem graça) Tá bom, eu falo. Mas que vocês podiam ao menos tentar adivinhar, isso podiam. (o Verde faz menção de avançar nele e o Roxinho fala apressado) Ele disse que não sabia. Disse que estava aqui para guardar a gente e não para responder pergunta boboca de Roxinho. (Alaranjado e Verde começam a rir) Sem educação ele, né?
ALARANJADO - Ah, primo, você é uma bola.
VERDE - Primo. Por que primo?
ALARANJADO - Então você não sabe que ele é filho de um vermelho com uma azul?
VERDE - Com uma azul? Vermelho com uma azul?
ROXINHO - É.
VERDE - Puxa, então nós somos parentes também, porque eu sou filho de uma azul com uma amarela.
ALARANJADO - Verdade? Então você também é parente meu porque eu sou filho de uma amarela com um vermelho.
(Eles começam a se abraçar, todos contentes, quando entra correndo um marrom)
MARROM - Pessoal, acabo de saber de uma coisa incrível. O azul rei está doente, muito doente e está precisando de receber sangue. Acontece que os azuis foram viajar para pintar o céu da primavera. Não ficou nenhum azul aqui. O rei até precisou chamar um médico vermelho.
ALARANJADO - Puxa, então é por isso que os guardas amarelos é que estão guardando a gente?
MARROM - É. E o rei resolveu lá com o médico que vai chamar o Verde para dar sangue para ele.
VERDE - Eu, por que eu?
MARROM - Você mesmo. Eu estava lá recolorindo a madeira da cama do rei e ouvi tudo.
VERDE - Mas por que eu?
MARROM - Ora, porque de nós aqui você é o que tem mais sangue azul.
ROXINHO - Por isso não que eu também tenho.
MARROM - Pois é, o médico vermelho até lembrou o rei disso. Mas o rei disse que você só serve para pintar caixão. (o Roxinho fica triste)
VERDE - Pintar caixão uma ova! Eu já sei o que vou fazer. O rei está doente, não está?
TODOS - Está.
VERDE - Precisando do meu sangue, não é?
TODOS - É.
VERDE - Pois eu não vou dar.
ROXINHO - Como?
VERDE - É isso mesmo. Não vou dar.
MARROM - Mas ele te mata se você fizer isso.
VERDE - Azar dele. Vai ficar sem folha nas árvores, sem grama, sem gafanhoto, etc, etc...
ALARANJADO - Mas ele não pode ficar sem árvores.
ROXINHO - É isso mesmo. Se não tem árvore, não tem ar puro. Se não tem ar puro, tem poluição (ele fala poluição como se fosse a pessoa mais bem informada do mundo) e se tem poluição muito poluída, ele morre do mesmo jeito. E daí eu vou caprichar no roxo do caixão dele.
ALARANJADO - Deixa de ser tonto, Roxinho, que se ele morrer de poluição poluída, nós morremos também.
MARROM - É isso mesmo. Todos nós precisamos do verde.
VERDE - Mas será que vocês não perceberam?
ALARANJADO - O quê?
VERDE - Todos nós precisamos de nós todos. Se o Marrom não existir, quem vai colorir o tronco das árvores? E se as árvores não tiverem tronco, como vão ter folhas? Se não existir o alaranjado, como o sol vai se pôr? E se o sol não se põe, como virá a noite?
ALARANJADO - Puxa vida, nunca tinha pensado nisto. Todos nós precisamos de nós todos.
TODOS – (cantando) Como é bom saber, que você precisa de mim, como eu preciso de você
Como é bom saber, que você não existe sem mim e eu não existo sem você
VERDE - Sou eu o verde, a cor da esperança, mas não existo sem vocês.
MARRON - Eu pinto a terra, a cor da madeira montanhas e serras, mas não existo sem vocês.
ROXINHO - Sou todo feio, desajeitado, só pinto a morte, sou um pobre coitado.
ALARANJADO - Pois de agora em diante, Roxinho querido, muita coisa elegante você vai pintar, novas frutas vamos inventar, você vai pintar o recheio do figo, a uva gostosa e mais, eu lhe digo, mil flores bonitas, azaléias, rosas, primaveras.
TODOS - E de nossa união outras cores virão. Um mundo bonito nós vamos pintar. Um mundo bonito pra todos agradar.
(Eles dançam com alegria uma música envolvente. Ouve-se o barulho dos passos do guarda)
GUARDA - Verde. Sua majestade o chama. Venha depressa.
(A entrada do guarda corta a alegria de todas as cores. Todos ficam assustados como se tudo que tivessem falado e cantado não passasse de um sonho)
VERDE – (animado) Não se preocupem, tudo sairá bem.

CENA XI
(O guarda amarelo vai levando o Verde para ir ver o rei. No caminho eles conversam)
GUARDA - Sabe, Verdinho, eu estava perto da porta ouvindo a conversa de vocês. Puxa vida, você teria mesmo coragem de deixar o rei morrer?
VERDE - Fala a verdade, ô guarda. Você está mais com medo de você morrer também, sem árvores e sem frutos do que o rei morrer sem sangue.
GUARDA - Ô, Verdinho, que é isso. Afinal eu não tenho nada contra você. Você não ia fazer uma coisa dessa comigo.
VERDE - Faço sim. E não sou só eu. Todos os meus amigos lá da masmorra farão o mesmo.
GUARDA - Quê isso, Verdinho.
VERDE - Você pode não ter nada contra mim. Mas eu tenho contra você. Você ajuda o rei a nos manter presos.
GUARDA - Mas são ordens, amigo, não é porque eu quero. Eu sou seu amigo.
VERDE - Então faça o que você quer, então saberemos que você é nosso amigo.
(O palco que estava iluminado apenas na boca de cena, por onde o guarda e o Verde passavam, ilumina-se de azul. O rei está deitado. Um médico vermelho está a seu lado)

CENA XII
REI - Verde, chamei-o aqui para lhe fazer uma grande homenagem. Observei que as árvores do reino estão muito bonitas, muito viçosas, as folhas bem coloridas. Você tem trabalhado bem. Assim sendo, resolvi conceder-lhe a grande honra de dar-me um pouco do seu sangue.
VERDE - Muito obrigado por todos os elogios, Majestade. Agradeço muito, mas não posso aceitar a homenagem.
REI - Pode sim, eu deixo.
VERDE - Não, eu não posso não.
REI - Pode sim, já disse.
VERDE - Acontece que eu não quero.
REI - Como não quer? Por acaso você, um reles verde, uma mísera cor derivada, uma mistura, têm querer?
VERDE - Tenho sim, e não sou só eu, Majestade. Todos os meus amigos que estão comigo na masmorra também têm querer.
REI - É o cúmulo. Pois então eu lhe ordeno que me dê sangue.
VERDE - E eu não obedeço à ordem.
REI - Ó! acho que estou sonhando... Só pode ser pesadelo. (se belisca)
VERDE - Não, Majestade, não é sonho. Só concordo em dar-lhe sangue se o senhor aceitar o que vou lhe propor: todas as cores deverão viver em liberdade.
REI - Acho que desta vez eu tenho um troço.
VERDE - E tem mais: todos poderão se misturar à vontade. Os homens e mulheres poderão se casar livremente, independente das cores que eles tenham.
REI - Isso nunca!
VERDE - E mais ainda: Vossa Majestade precisa tanto do meu sangue quanto do meu trabalho e do trabalho de todos os meus amigos que estão na masmorra. Se Vossa Majestade não aceitar minhas condições, eu e todos os meus amigos deixarmos de trabalhar. E sem árvores e sem frutos Vossa Majestade morrerá de todo jeito.
MÉDICO VERMELHO - Majestade, é melhor aceitar, senão Vossa Majestade, sem sangue, vai morrer.
REI - Pois prefiro a morte. Guarda... (o guarda não reage, atarantado com a atitude do Verde) Guarda!!! (o guarda acorda) Leve-o para a masmorra!
MÉDICO VERMELHO - Mas Majestade...
REI - Já disse (começa a choramingar) Prefiro a mor... Verdiiiiinho!!!
VERDE – (voltando e bem de inocente) Vossa Majestade me chamou?
REI - Chamei sim. Para lhe dizer que você é um chantagista, é um embrulhão, é um verde muito sujo e que... não tendo outro jeito, né?! Sou obrigado a aceitar suas condições.
VERDE – (eufórico) Puxa vida, que bacana. Custou, hein, azul? Mas você não vai se arrepender. Quando todos nós estivermos em liberdade, o mundo será lindo. Você terá netos lilázes...
REI – (meio com horror) Ó, eu com neto lilás. (pensando melhor) Lilás! (já enlevado) Lilás...
VERDE - E de muitas outras cores. Tudo será lindo e colorido!

CENA FINAL
(À medida que se processa a “transfusão de sangue” todas as cores vão entrando em cena. Talvez com muitas fitas coloridas, fazendo um balé)
ROXINHO – (bem atirado) E de todos nós juntos nascerá o branco que será o símbolo de nossa união.
TODOS – (cantando) Neste país bem bonito, reina agora a harmonia/E nós todos trabalhamos, sempre cheios de alegria
Pois tudo o que nós fazemos, é nosso e de ninguém mais/Nós mesmos nos governamos, por isso aqui reina a paz
Quem quiser nos visitar, dê a mão ao seu vizinho/E que o vizinho vá chamar, bem depressa outro vizinho
E todos juntos verão, que assim é que é bom viver/Unidos de mão na mão, com coração bem aberto
Assim é que tem que ser.

(Enquanto eles cantam e dançam o Preto poderia participar da cena, bem alegre, como se ele fosse um elemento também da união por ter contado a história).


FIM

 
MODELO DE FICHA DE INSCRIÇÃO E AUTORIZAÇÃO

ESCOLA DE EDUCAÇÃO BÁSICA SANTA CATARINA
GRUPO TEATRAL ECOLOGIA NOTA 10
FICHA DE INSCRIÇÃO E AUTORIZAÇÃO

Nome Completo: __________________________________________________Data: ____/____/______

Turma: ___________ Turno: ___________ Idade Atual: ___________ Data de Nasc.: ____/____/______

Rua: __________________________________________________________ Nº: _______ Aptº: _______

Bairro: _______________________________ CEP: ________________ Fones: ____________________
Por este documento autorizo o aluno acima descrito, a participar de um grupo teatral na escola, ciente de que os ensaios serão em horários extra-classe e com possibilidades de apresentações fora do espaço escolar. Assinatura do Pai, Mãe ou Responsável: _____________________________________________.

 



ESCOLA DE EDUCAÇÃO BÁSICA SANTA CATARINA – Data: ___/___/___

FICHA DE SELEÇÃO E AVALIAÇÃO DE ATORES DO GRUPO TEATRAL ECOLOGIA NOTA 10

Nomes
Pontual.
Dicção
Expr facial
Expr Corp
Interpr
Desloc
Ênfase
Comport
Linguaj
Ética
Respons
Obs
Result